5 – The Tomorrow People
Logo The Tomorrow People se tornou uma história permeada pelo herói cheio de moralidades e do politicamente correto, que entra em choque com o realista, amargurado e obscuro líder dos super humanos; a mocinha que completa o insosso triângulo amoroso; e o vilão canalha, sem vergonha e unidimensional que se sobrepõe ao herói com uma voracidade tão grande que chega a ser vergonhoso ver Robbie Amell contracenar com Mark Pellegrino. Mas, talvez, o erro mais grave da série seja a construção do protagonista, que, de tão correto e corajoso, torna-se uma abstração narrativa, flutua cima do território do real e, consequentemente, distancia-se do público. E esse distanciamento acaba transbordando praticamente para todo o grupo de super humanos, o que quebra a própria base da série, que é luta pela sobrevivência da espécie evoluída.
Mas não é somente de erros de protagonista que vive The Tomorrow People. Afinal, protagonista ruim pode e deve se equilibrar com a presença de competentes personagens secundários, já vimos isso muitas vezes. Mas atuações como a da Madeleine Mantock (Astrid, a melhor amiga apaixonada – mais que clichê que isso é muito difícil) e da Peyton List (Cara, a mocinha projeto de badass rebelde, mas que na realidade é muito vazia) são tão ruins, engessadas e forçadas que podemos sim considerá-las uma vergonha alheia, e até nós faz sentir muito pela CW. Complica ainda mais o fato do personagem do Aaron Yoo (Russel), que ultrapassa o limite do estereótipo, seja o mais interessante.
Dessa forma, assistir TTP se revela uma tragédia que rivaliza com o Titanic. Ver uma série com bom potencial se tornar uma paródia de si própria e dos dois gêneros narrativos que se enquadra é uma tarefa triste e torturante, que, assim como Ravenswood, desponta como uma verdadeira armadilha de Satanás e, se você ainda não começou a ver essa belezura, não veja. Se você tem interesse, engula o seu interesse e prenda ele a sete mil chaves no fundo de algum baú e deixe lá apodrecendo enquanto você usa os 40 minutos semanais para fazer coisas mais úteis, como lavar as mãos, tirar pelos e/ou cabelos do ralo do chuveiro ou colocar o lixo para fora de casa.
4 – Super Fun Night
Mas quando a crítica americana, de costume, assistiu os pilotos estreantes e avaliou SFN como uma grande porcaria decepção, o alerta de que algo estava errado acendeu… Mais uma vez tentando consertar o que parecia perdido (a ABC realmente tentou!), o piloto da série foi deixado de lado e a estréia da comédia no começo de outubro foi feito com o segundo episódio da produção.
Deixei de lado essas adversidades e fui assistir ao episódio com o coração aberto e depilado, mas… ERA UMA BOMBA! Absolutamente tudo errado! Não tivemos uma boa apresentação dos personagens e sobre o que a série teria como foco para abordar nos seus episódios, e as piadas, que deveriam ser o grande trunfo de uma série de comédia, beiravam ao pastelão. Nos episódios seguintes, o que já era bem ruim, ficou ainda pior e eu me sentia como se tivesse assistindo uma comédia romântica assinada pela Xuxa. Liçõezinhas de moral discretamente embutidas no finalzinho de cada episódio, cenas com selo de qualidade de Zorra Total e com uma protagonista bobinha, que nem cogitava pensar que algumas pessoas são ruins e que beirava o limite de passividade já imposta por heroínas songas mongas como a Bella. Alguns personagens coadjuvantes entraram, Richard e Kendall começaram um relacionamento, Kimmie tentou novos encontros e mesmo assim o nível de ruindade da série não diminuía. Marika e Helen-Alice têm em seus nomes suas participações mais engraçadas e nem quando a série resolveu “inovar” ao mostrar um flashback no seu oitavo episódio (entre aspas porque era nada mais nada menos que o piloto rejeitado da série), TUDO era exatamente igual ao que já tinham nos apresentado, até a antagonista dele era igualzinha a Kendall. Depois disso não teve como assistir mais nada dessa série.
Super Fun Night, com certeza, foi a maior decepção que eu tive com séries estreantes em anos. Talvez, aliás, a maior de todas! Mas após perder algumas horas da minha vida assistindo a esse show de horrores, me dei conta que uma série que tem na sua sinopse “três amigas que resolvem se divertir saindo de casa nas sextas-feiras à noite”, tem cheiro de estrume de loooonge… A ingênua de esperar algo bom vindo disso aí, na verdade, fui eu!
3 – Hostages
Sua audiência, que vinha de mal a pior, fez vários sites declararem seu iminente cancelamento, mas a CBS garantiu a exibição da 1a temporada completa e ao fim dela deve sair de fininho dizendo que era uma minissérie e por isso chegou ao fim, em vez de assumir que seu fracasso levou ao cancelamento. Tá na moda isso agora. Mas o fato é que o produtor da bagaça, Jerry Bruckheimer, chegou a afirmar antes de a série ir ao ar, que ele contava com mais temporadas e que aquilo não era uma minissérie para ele. Reza a lenda que a CBS não tirou Hostages do ar pelo peso dos nomes de Toni Collette, Dylan McDermott e também para não criar atrito com Bruckheimer, responsável por sucessos como CSI e The Amazing Race.
A sinopse resumida é que a Dra. Sanders (e sua família) é feita refém por Duncan e sua trupe porque ela irá operar o presidente dos EUA. A médica deve matar o presidente sem deixar pistas, ou sua família será assassinada. Simples. Bom. Terreno fértil para tensão e muitas possibilidades. Mas, porém, entretanto, todavia… Para constituir ameaça, você precisa acreditar naquilo, não é mesmo? E é essa a maior e mais grave falha da série. Não dá pra levar os sequestradores a sério, se desde o primeiro episódio eles são incapazes de machucar um fio de cabelo da família Sanders ou mesmo um pelo do cachorro. O ridículo chega ao extremo do filho mala ter mais medo de seu chefe traficante, do que dos sequestradores com armas apontadas para sua família, a ponto de pedir ajuda para um deles! Como temer um sequestrador que toma suas dores e se vinga dos seus inimigos por você? Isso é brodágem em última instância! E a série de absurdos continua quando eles “chipam” a família inteira com um GPS subcutâneo, MENOS A MÉDICA. E vale ressaltar que todos da família são um clichê ambulante: mãe batalhadora, pai que tem um caso, filho traficante e filha grávida. O resultado disso tudo é que você não acredita que os sequestradores são capazes do que ameaçam e não se comove com a família porque eles parecem ter os valores mais trocados do mundo.
O roteiro insiste tanto em emocionar, que de tão forçado, falha na missão. Tentam também instigar a curiosidade da audiência sobre o passado dos personagens, os motivos que os levaram a fazer aquilo e olha, uma vez que não há envolvimento, esses mistérios provocam mais bocejo do que curiosidade. É uma história triste, um desperdício daqueles talentos e do tempo de quem assiste. Eles miraram no suspense, e acertaram na comédia de tanto que os absurdos fazem rir.
2 – Under the Dome
Se você gostou muito da série, não vai concordar comigo e não deveria nem continuar lendo. Eu posso passar mil parágrafos tentando convencer que o problema não é só o livro não ter sido respeitado, mas vocês não vão acreditar. Ter lido o livro torna qualquer comparação injusta, mas a série é terrível se colocada em perspectiva solitária, também. Seus problemas de texto, enredo, interpretação, técnica, são independentes da obra original e fazem parte de decisões que só competem aos showrunners.
A história da redoma que isola uma cidadezinha no Maine e faz com que isso mude a rotina e os instintos dos moradores, se transformou numa história sobre a origem desse fenômeno. Para garantir alguns anos no ar, aspectos climáticos óbvios foram ignorados, limitações evidentes foram suavizadas e a série passou o tempo todo inventando um verdadeiro festival de maluquices para explicar e lidar com a redoma. Foi como começar a assistir uma Heroes 2.0, sem as qualidades que Heroes tinha. A cidade deveria estar sofrendo com o isolamento, mas a trama preferiu interligar “jovens escolhidos”, com ovos sobressalentes, temperamento para a redoma, e tudo que é o básico do entretenimento minimante inteligente, foi ficando pra trás.
Nada se salvava… O elenco era terrível e ainda me pergunto o que Dean Norris estava fazendo ali. O piloto investiu bastante nos efeitos especiais, mas depois caiu na preguiça das soluções confortáveis. O texto era tosco, criava reações exageradas para coisas simples e simplificava o que deveria ser eloquente. Em pouco tempo, a forma como a redoma afetaria a cidade ficou em quinto plano e tudo passou a ser sobre o “enigma dos escolhidos”. A história não tinha complexidade, beleza, verdade… Só um monte de falsas tensões. Mas tá aí… Um segundo ano garantido. Pra mim, nada do que esteve sob essa redoma foi relevante e acho que em termos práticos, a série nem sob qualquer redoma deveria estar. A histeria sobrenatural dali funciona sem precisar de barreira alguma.
1 – Dexter
Eu me lembro como se fosse ontem, as minhas férias de 2007. Eu estava no Rio de Janeiro a beira da piscina, em uma roda de amigos conversando sobre séries de TV, e eu dizia de boca cheia: “A série que mais me impressionou no ano passado foi uma novata chamada Dexter. Simplesmente genial”.
Durante alguns anos, sempre que me perguntavam qual era a minha série favorita, eu respondia sem pestanejar: Dexter. Ao final da 4ª temporada eu tinha orgulho de ser fã de Dexter, recomendava para todos os meus amigos.
Hoje em dia, é muito comum o rótulo de “hater” ou “recalcado” quando se critica alguma coisa. Pessoalmente, não é uma tarefa fácil criticar Dexter, não é com prazer ou satisfação que Dexter foi eleita a pior série de 2013, mas como fã crítico, eu não poderia estar mais triste, frustrado e zangado com a 8ª e última temporada.
Por anos acompanhamos essa jornada, esses personagens e tudo que queríamos era um final digno. O desgaste criativo era óbvio e quando foi anunciado com antecedência que a 8ª temporada seria a última eu não fiquei triste, fiquei aliviado. Os produtores e roteiristas teriam tempo para planejar o fim do serial killer mais popular da TV. Muito do material escrito por Jeff Lindsay ainda não havia sido usado e seria muito interessante ter como norte as narrativas dos livros em que a série foi baseada nessa conclusão. Porém, os roteiristas tinham suas próprias ideias e tramas originais que gostariam de explorar, eles tinham a própria bússola que gostariam de seguir e o resultado foi a pior temporada da história da série.
Por que não explorar o legado de Dexter e mostrar os ensinamentos do código para Harrison, que assim como seu pai foi batizado com o sangue da mãe e tinha combustível suficiente para alimentar seu próprio Dark Passenger? Ou então explorar as consequências de todos os atos cometidos por Dexter em uma temporada que ele seria capturado, julgado, executado e rotulado como mais notório serial killer da história. Eles poderiam também usar o gancho deixado pela Dra. Vogel e trabalhar o ângulo do psicopata perfeito.
Por anos os fãs debateram sobre a humanização de Dexter, sobre sua evolução, se ele era ou não um psicopata, se ele era ou não um anti-herói… As camadas do personagem eram incontáveis, o potencial do material disponível era fantástico, mas infelizmente a série guardou o pior para o final gerando o pior sentimento possível que um fã pode ser por uma série: a indiferença. Essa indiferença se transformou em raiva com o tempo, pois Dexter não teve um final triste ou feliz, apenas opaco. Diria que foi o exato oposto do final de Breaking Bad.
A morte anticlímax de Deb, os efeitos especiais ridículos da tempestade, supostos vilões que apareceram só para morrer, Hannah sendo obrigada a adotar Harrison na Argentina… Quando me lembro dos momentos finais de Dexter meu coração e meu estômago dão nó.
E a cena final? Quer dizer que Dexter virou um lenhador no Canadá e se curou da psicopatia? Ele foi obrigado a viver o resto de sua vida infeliz? O final não precisava ser feliz, eu não esperava por um final feliz, o final só precisava ser digno.
RIP Dexter, o pior series finale que eu já assisti na minha vida.
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E para você, qual foi a pior decepção de 2013? Qual série não poderia ter faltado na lista ou qual não poderia ter entrado? Solte o verbo nos comentários.
Fonte: 1

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