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Resenha Crítica: "Driven" (Corrida Alucinante)

domingo, 12 de janeiro de 2014

Jimmy Bly (Kip Pardue) é um piloto de CART (agora Champ Car) novato, que está a surpreender tudo e todos ao disputar o título de campeão com o conhecido Beau Brandenburg (Til Schweiger). Com um agente obcecado em vender a imagem do seu atleta e a imprensa constantemente no seu encalço, Jimmy falha numa etapa decisiva na disputa pelo título de campeão, algo que conduz Carl Henry (Burt Reynolds), o seu chefe de equipa a chamar os serviços do veterano Joe Tanto (Sylvester Stallone). Tanto regressa após um acidente, substituindo Memo (Cristián de la Fuente), um amigo e actual esposo da ex-mulher (Gina Gershon) do personagem interpretado por Stallone, de forma a ajudar Bly a assumir a liderança da competição automóvel. Por sua vez, Brandenburg lida com o facto de ter magoado a sua namorada, a bela Sophia (Estella Warren), que logo começa a formar uma relação bastante afectuosa com Bly. Não estamos no interior de uma telenovela mexicana que é transmitida depois do almoço ou nas madrugadas, mas quase parece, tal o emaranhado destes romances, que não ficam por aqui. Pelo meio podemos juntar o facto de Tanto ter de lidar com uma jornalista (Stacy Edwards), que quer saber mais sobre o domínio masculino naquele desporto e acaba por despertar a atenção do personagem interpretado por Sylvester Stallone; o agente obcecado em vender a imagem de Bly é o irmão do protagonista; o paternalismo de Tanto junto do protagonista; por sua vez Bly e Brandenburg têm de disputar o título de campeões, mas isso pouco interessa perante a salganhada apresentada por Renny Harlin em "Driven", uma obra onde nada parece fazer sentido. "Driven" é um acidente em larga escala, daqueles em que acreditamos que quase todos os seus envolvidos se queiram esquecer, muito marcado por diálogos pueris, um elenco que prima pela pouca habilidade em nos convencer e na arte da representação (salva-se Stallone a fazer de Stallone), alguma incapacidade para desenvolver os relacionamentos dos diversos personagens, sendo a prova de que um filme ter estilo não chega, com Renny Harlin a apresentar-nos uma película cheia de clichés e lugares-comuns amontoados de forma pouco homogénea, que nos fazem pensar que ao realizar "A Ilha das Cabeças Cortadas" o cineasta também ficou com o seu pouco talento cerceado.

Renny Harlin até pode ter sido bem intencionado na realização de "Driven", mas nada parece resultar ao longo desta obra cinematográfica. Não falta um triângulo amoroso pouco convincente entre Bly, Brandenburg e Sophia, bem como corridas de carros com efeitos especiais embaraçosos e até uma competição no meio das ruas entre os personagens interpretados por Stallone e pelo insonso Pardue que desperta mais risos do que tensão, enquanto estes avançam furiosamente com os seus bólides, numa obra que perde imenso o foco da história, deambulando de subtrama em subtrama e oferecendo-nos algo ainda menor que o talento do seu protagonista para a arte da representação. Kip Pardue, cuja carreira nunca chegou a atingir grande notoriedade, chega-nos com toda a sua falta de carisma, ar insonso e pronto a rivalizar com Gina Gershon em relação a qual dos elementos do elenco tem menos talento. Salva-se Sylvester Stallone como o piloto veterano que parece destinado a ajudar tudo e todos, qual bom samaritano, enquanto Renny Harlin nos dá um filme que até pode ser bem intencionado mas demasiado irregular para conseguirmos levar a sério. Essa pouca seriedade e leveza com que encaramos todos estes momentos implausiveis, são fundamentais para conseguirmos assistir o filme até ao fim e termos um pouco de entretenimento. É que é impossível acreditar que estes personagens sejam pilotos profissionais de automóveis quando as suas vidas passam por discotecas, romances, festas e entrevistas, descurando toda a minúcia e treino que este desporto exige, tal como “Driven” dispensa ter uma narrativa coesa capaz de explorar todas as subtramas e a trama principal que atira em nossa direcção. Irregular no seu argumento, incapaz de manter o foco na sua história e acompanhado por uma banda sonora inadequada, "Driven" é uma obra que falha em quase toda a linha, sendo que o seu valor de entretenimento depende acima de tudo da seriedade (ou falta desta) com que a encaramos.

Título original: "Driven".
Título em Portugal: "Corrida Alucinante".
Realizador: Renny Harlin.
Argumento: Sylvester Stallone.
Elenco: Sylvester Stallone, Kip Pardue, Estella Warren, Til Schweiger, Gina Gershon. 

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