Espia misteriosa e fadada à tragédia, Mata Hari é uma das personagens emblemáticas da carreira de Greta Garbo, na qual a "esfinge sueca" coloca mais uma vez a cabeça à roda aos personagens masculinos. Esta contribuiu para popularizar a lenda em volta de Mata Hari, uma espia condenada à morte em França, durante a I Guerra Mundial, por supostamente espiar para o lado Alemão. Em "Mata Hari", realizado por George Fitzmaurice, esta espia ganha a sua segunda adaptação ao grande ecrã (a primeira estreou em 1927, tendo sido realizada por Friedrich Feher), tendo em Greta Garbo uma intérprete capaz de conceder algum mistério à sua personagem, uma bailarina exótica (logo nos momentos iniciais temos esta a dançar para Shiva), sedutora e espia, que encanta e domina os homens, com excepção de Dubois (C. Henry Gordon), o líder do departamento de espionagem francês, que em plena I Guerra Mundial pretende evitar fugas de informação, desconfiando que Mata Hari se encontra ao serviço do inimigo, embora não tenha provas cabais contra esta. Esta trabalha para Andriani (Lewis Stone), seduzindo pelo caminho o General Serge Shubin (Lionel Barrymore) e o tenente russo Alexis Rosanoff (Ramon Novarro), com este último a transportar informação relevante que interessa à espia. Mata Hari seduz tudo e todos com o seu corpo e personalidade forte, incluindo Shubin, embora esta até acabe por se apaixonar pelo jovem Rosanoff, um indivíduo de quem rouba informação, algo que irá despertar a fúria e ciúme do personagem interpretado por Lionel Barrymore. Entre uma paixão proibida e sentida em relação a Rosanoff, uma procura de manter Shubin sob controle (de quem retira informações), a tentativa de escapar às acusações de Dubois, a espia Mata Hari terá de utilizar todos os seus recursos para conseguir cumprir com sucesso os seus intentos, embora mais tarde ou mais cedo esteja fadada à tragédia, ou não tivesse escolhido um estilo de vida para a qual a única fuga é a morte. A divinal Garbo encarna esta personagem com um estilo muito próprio, concedendo-lhe mistério, fragilidade, sensualidade e impetuosidade, com Mata Hari a surgir como uma mulher decidida a cumprir os seus intentos, mas também capaz de ceder ao amor, ao longo de uma obra que é sempre mais eficaz na exploração dos intrincados relacionamentos humanos do que no desenvolvimento das temáticas ligadas à espionagem e do contexto referente à I Guerra Mundial. Mais do que um filme de espionagem, "Mata Hari" é um melodrama competente, onde Garbo e Ramon Novarro surgem convincentes como um casal apaixonado onde a primeira apresenta uma postura mais activa e forte e o segundo uma postura mais fraca (deixando no ar uma sublime mensagem homossexual), sobressaindo o encontro final entre os dois, naquela que foi a primeira e última colaboração profissional entre ambos. Garbo encanta, deslumbra e convence ao longo deste drama marcado por um bom trabalho de fotografia, onde as sombras por vezes parecem tomar conta dos corpos, uma espia procura roubar informações e um romance nasce numa altura improvável.
Título original: "Mata Hari".
Realizador: George Fitzmaurice.
Argumento: Benjamin Glazer, Leo Birinsky, Doris Anderson, Gilbert Emery.
Elenco: Greta Garbo, Ramon Novarro, Lewis Stone, Lionel Barrymore.
Elenco: Greta Garbo, Ramon Novarro, Lewis Stone, Lionel Barrymore.


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