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Resenha Crítica: "American Hustle" (Golpada Americana)

domingo, 19 de janeiro de 2014

 "American Hustle" começa por nos salientar que alguns acontecimentos do filme aconteceram realmente, remetendo para o célebre caso da operação Abscam, desenvolvida pelo FBI, no final da década de 70 e início dos anos 80, que começou como uma investigação relacionada com o roubo e tráfico de obras de arte falsificadas e terminou com a descoberta de um caso de corrupção política vergonhoso. O filme realizado por David O. Russell adapta este caso com várias liberdades e exageros, trocando os nomes reais por nomes ficcionais, expondo elementos típicos da época, sempre num tom algo farsesco, pronto a explorar o que de melhor o seu elenco tem para dar mas não comecemos já a divagar e avancemos para um breve resumo do enredo, que começa a 28 de Abril de 1978, no Plaza Hotel em Nova Iorque, onde Irving Rosenfeld (Christian Bale) se encontra com a sua farta barriga à mostra, enquanto cola cabelo postiço na sua cabeça algo calva. Pouco depois, a narrativa logo retrocede através de um flashback onde Irving Rosenfeld nos apresenta ao seu passado no Bronx, até nos colocar ao corrente dos negócios ilegais que protagoniza, ligados ao ramo da venda de obras de arte ilegais e empréstimos, lavando o dinheiro em negócios de fachada como a vidraria e duas lavandarias. Este é casado com Rosalyn (Jennifer Lawrence), uma loira explosiva e intempestiva, por vezes a fazer lembrar a personagem de Sharon Stone em "Casino" (a sede de poder está muito presente em ambas as obras, com "Goodfellas" de Scorsese a parecer também uma clara influência do filme), que a descreve como "(...) the Picasso of passive-aggressive karate", e conta com um filho que foi adoptado por Irving, com a criança a ser a causa da manutenção do casamento. O grande interesse de Irving é Sydney (Amy Adams), uma antiga stripper que conhece durante uma festa em Long Island, com quem partilha o interesse pelas músicas de Duke Ellington, e o vai ajudar nos golpes, fazendo-se passar por Lady Edith Greensley, uma aristocrata britânica, de forma a atrair clientes, pelo menos até serem apanhados em flagrante por Richard "Richie" DiMaso (Bradley Cooper), um agente do FBI que logo detém a mulher por falsificação de identidade. Richie sente-se atraído por esta mulher, embora esteja noivo, decidindo ajudá-la a sair da prisão, desde que esta e Irving o ajudem a apanhar outros quatro falsificadores, acabando por chegar a Carmine Polito (Jeremy Renner), o mayor de Camden, New Jersey, um indivíduo poderoso que se encontra a fazer campanha para revitalizar o jogo em Atlantic City, mas necessita do dinheiro para a construção e legalização dos casinos, estando disposto a tudo para conseguir os seus intentos.

Polito é uma figura algo obscura, que apresenta uma ambição desmedida, apresentando uma aura de credibilidade através da sua faceta aparentemente imaculada de pai de família, contando com vários filhos, incluindo um adoptado. Richie, Irving e Sydney procuram traçar um plano para apanhar Polito e elementos do Congresso em flagrante delito, contando com a ajuda de Paco Hernandez (Michael Peña) como elemento-chave para o golpe, com este a fingir ser um sheik árabe pronto a investir o dinheiro necessário nos casinos e nas licenças. No entanto, este terá de obter a nacionalidade dos Estados Unidos da América, algo que levaria alguns anos, mas Polito e os seus parceiros logo procuram subornar membros do Congresso para acelerar o processo, enquanto Irving, Richie e Sydney tentam concluir com sucesso a sua missão. O trio encontra uma série de peripécias durante esta missão, incluindo o envolvimento inesperado da espampanante Roselyn e a formação de uma espécie de triângulo amoroso entre os personagens interpretados por Cooper, Adams e Bale, bem como políticos corruptos dispostos a aceitarem subornos para efectuarem uma série de ilegalidades, gangsters, entre outras figuras do mesmo quilate. Entre clubes nocturnos, casinos, gabinetes do FBI, as habitações dos personagens, identidades escondidas e muita música a rigor pronta a simbolizar cada momento, "American Hustle" surge-nos como uma sólida obra cinematográfica que nos coloca perante um elenco de luxo a exibir o seu talento e um realizador pronto a expor uma das suas mais sólidas películas. David O. Russell é um realizador capaz de extrair o que o de melhor o seu elenco tem para dar. Já tinha sido assim em "The Fighter", colocando Mark Wahlberg, Christian Bale e Amy Adams com interpretações dignas de registo, foi assim em "Silver Linings Playbook" onde Jennifer Lawrence sobressaiu a grande nível, Bradley Cooper surpreendeu e Robert De Niro teve um papel mais digno do que algum do lixo que tem feito nos últimos anos (veja-se "Hide and Seek", "Killer Elite", "Freelancers" e "Killing Season"). No caso de "American Hustle" é estimulante podermos ver um elenco de luxo destacar-se pela positiva, protagonizando bons momentos de cinema, em particular Amy Adams, Bradley Cooper, Christian Bale e Jennifer Lawrence. Começamos pelo fim, Lawrence surge explosiva, faladora, frágil e espampanante, vestida com grandes decotes e capaz de destruir microondas, mas a maior surpresa é quando despe a capa de mulher forte e revela as suas fragilidades, mudando de registo de forma impressionante. Rosalyn é uma mulher mimada, a sua personalidade e os seus actos deixam a desejar, tal como de todos os personagens do filme, ou David O. Russell não tivesse realizado uma obra marcada pelos excessos e imoralidade, onde quase todos os personagens parecem movidos pela ambição. A relação profissional de Russell com Lawrence tem gerado alguns momentos dignos de relevo, algo que em "American Hustle" resulta em pedacinhos memoráveis de cinema, ficando particularmente na memória a cena em que Rosalyn canta e dança ao som de "Live and Let Die" de Paul McCartney, solta os seus fantasmas, mexe-se furiosamente e protagoniza um momento portentoso, com a jovem actriz a mostrar cada vez mais que com o material certo é um nome a seguir com enorme atenção (embora a sua procura em tentar ser engraçada a todo o custo nos eventos públicos possa desgastar a imagem).

Quando questionada sobre esta cena de dança, Jennifer Lawrence salientou ao Details.com que "David came to me before we started shooting, and he said he had a vision of Rosalyn wearing yellow cleaning gloves and running through the entire house singing [Paul McCartney's] "Live and Let Die." And I thought that sounded incredible, but how's it going to make sense? I'm usually so stupid with these things. I'm just like, "Yeah, I'll dance, I'll sing, whatever!" But I think this song [signifies how] Rosalyn is so angry, and she's at this point where she's been lied to for so long. And she's getting to this point in her marriage, which she's been fighting for for so long, where she's finally ready to just let it die. So it was just a really great, crazy moment". A citação expõe paradigmaticamente o improviso e à vontade que David O. Russell exige e permite aos seus actores, criando com Jennifer Lawrence uma personagem digna de registo. Rosalyn é casada com Irving, mantendo com o personagem interpretado por Christian Bale uma relação complicada, com este a ter medo de perder a guarda do filho desta com outro homem, bem como do comportamento intempestivo desta mulher para quem a relação se resume a "We fight and then we fuck, that's our thing". Irving é um elemento dedicado aos golpes e às falcatruas, com problemas de saúde, uma enorme barriga (algumas grávidas têm uma saliência bem menor), meio calvo, dado a excessos, que pouco liga à opinião dos outros em relação ao seu visual, que surge pronto a triunfar na vida pelo caminho mais fácil, embora no fundo até tenha um bom coração. O personagem interpretado por Christian Bale não é um gangster pronto a traficar bebidas alcoólicas como aqueles que povoam os filmes de Hollywood dos anos 30, mas partilha o mesmo desejo de ascensão rápida dos mesmos, procurando ascender na vida graças a vários golpes, tendo ainda uma relação complexa com Sydney Prosser. Sensual, intensa, inebriante e algo dissimulada, Sydney proporciona a Amy Adams uma das suas grandes interpretações nos últimos anos, quase que nos fazendo esquecer o seu trabalho para o cheque em "Man of Steel" e a regressar aos grandes momentos de "The Master". Com o peito geralmente a descoberto, mas os seus sentimentos bem mais resguardados, esta faz jogo duplo com Richie e Irving, conquistando os dois e enganando vários clientes, fingindo ser uma inglesa, quando na realidade é uma antiga stripper com um futuro que parece vir a ser tão nebuloso como o seu passado, procurando ser outra pessoa distinta daquela que realmente é, sendo o paradigma destes personagens em esconderem o seu interior e activarem os seus instintos de sobrevivência. Já Bradley Cooper expõe particularmente bem a qualidade dos diálogos e do improviso em "American Hustle" nas falas do seu personagem, um detective do FBI apaixonado por Sydney, protagonizando um momento digno de registo onde fala imenso na cela da prisão, faz perguntas e dá as respostas enquanto a personagem interpretada por Amy Adams apenas o observa, tal como nós, deliciados perante estes momentos. 

Os personagens em "American Hustle" falam muito, por vezes até demais, expõem os seus sentimentos e o talento dos actores, com David O. Russell a dar ainda espaço para Jeremy Renner (mais um grande papel como secundário, depois de o termos visto a destacar-se no brilhante "The Immigrant"), Louis C.K. como um dos superiores de Richie no F.B.I, sendo um dos poucos personagens menos dados a excessos (a sua conversa sobre pesca no gelo a meio de um assunto importante é revelador do tom satírico do filme); Jack Huston como Pete Musane, um mafioso que se envolve com Rosalyn; e até Robert De Niro numa participação especial como um chefe da máfia de Miami, a revelar que David O. Russell respeita mais o grande legado do actor, do que o “Touro Enraivecido”. É justamente pelo exploração do elenco que "American Hustle" mais se destaca, com David O. Russell a revelar-se mais uma vez exímio nesse capítulo, não sendo de descurar o seu papel em agarrar pelos colarinhos uma narrativa que tinha tudo para se perder no meio de tanto improviso e deboche, onde a espaços parece que um grupo de amigos se reuniu para fazer um filme e se divertir imenso durante a sua elaboração. No entanto este não é um improviso anárquico, mas sim trabalhado, existindo uma relação de confiança entre o realizador e os actores, como David O. Russell salientou em entrevista ao ShekNows: "The improvisation is rarely people saying, 'Just go do whatever you're going to do.' It just means that we're rewriting it, making it better in the moment. (...) That aliveness of changing things in the moment is what keeps things feeling immediate and very alive". Em entrevista ao mesmo meio, Christian Bale salientou exactamente essa faceta de improviso do filme: "There's that one scene that is really interesting the way we shot it. It was scripted entirely differently but David [O. Russell] said, 'That’s not what I want anymore.' There was a big plot point happening and he said, 'I'm not interested in that plot any longer,' and we sat for 10 minutes in a different room and we kind of just talked about where we should start, where should we end, roughly what would we say, and then, 'All right, Christian and Jennifer, you just go for it, see what happens". Ou seja, existe muito trabalho nesta improvisação, neste esforço para criar personagens interessantes e complexos, que se ajustem e cresçam com os desempenhos dos actores, surgindo alguns momentos magníficos de cinema. Embora muitas das vezes "American Hustle" pareça um filme conduzido pelos actores, é inegável o trabalho de David O. Russell para segurar e dinamizar a narrativa, explorar esta história de gente pronta a correr riscos para ser bem sucedida, seja o agente do FBI pouco dado a regras, seja o vigarista nato, sejam as mulheres fatais que os acompanham, tudo com alguma leveza, com o cineasta a ser fiel à loucura que rodeia a história do seu filme. 

Uma loucura visível nos seus personagens, que protagonizam momentos como andar com rolos para encaracolar o cabelo como Bradley Cooper, ou Roselyn a arrasar com um micro-ondas, já para não falar nos cuidados capilares de Irving, e o falso sheik interpretado por Michael Peña. A contrariar ainda a ideia de descontrolo está todo o cuidado no guarda-roupa, pronto a representar os excessos destes personagens e os anos 70, bem como a banda sonora, com as canções a servirem muitas das vezes para ilustrar as cenas e a substituírem os diálogos, sendo permeadas por "I Feel Love" de Donna Summer, "Delilah" de Tom Jones, "Blue Moon" de Oscar Peterson, entre tantas outras músicas marcantes, que por vezes até acabam por ligar as cenas entre si. A banda sonora marcante é algo que "American Hustle" partilha com "Silver Linings Playbook", bem como as temáticas da reinvenção dos seres humanos, algo também já visto em "The Fighter", com o realizador a criar uma espécie de trilogia informal entre as três obras. Em "American Hustle" estes personagens enganam e enganam-se, fingem ser quem não são e confundem a sua persona ficcional com a sua persona real, expõem as suas fragilidades, qualidades e a enorme ambição. A temática do lado negro do sonho americano e da ascensão rápida esteve muito em voga no cinema americano em 2013, algo visível em "Spring Breakers", "The Bling Ring", "Pain & Gain", mas também um olhar para dentro crítico em relação à sua história recente como em "12 Years a Slave". "American Hustle" opta por um tom leve, por vezes quase acrítico e até despretensioso, pronto a não ser totalmente levado a sério, apresentando um conjunto de personagens que pretendem algo de forma fácil, seja uma ascensão na carreira, dinheiro rápido, fama, luxo e por aí fora. Nesse sentido, não falta muita linguagem vulgar, planos mirabolantes, momentos caricatos, roupas e penteados espampanantes, tudo em pleno espaço citadino dos Estados Unidos da América, "a land of the free and the home of the brave" como diz o seu hino, mas também de muito personagem peculiar e vigarista como nos apresenta "American Hustle". Não deixa de ser curioso que Irving seja também um especialista na venda de obras de arte falsas. David O. Russell não nos vende algo de falso, mas sim uma obra carregada de humor negro, laivos de genialidade e loucura, embora também acompanhada por algum drama, com os seus personagens a terem uma faceta trágica, própria de todos os falhanços das suas vidas, algo que os conduz a quererem reprimir as suas verdadeiras personalidades e a cometerem actos meio destravados. Rosalyn é possessiva, tem uma relação tóxica com Irving, não consegue despertar o amor deste e pouco parece ligar ao filho, tendo uma relação com um mafioso. Irving vive de golpes mas não consegue ascender socialmente como pretende, estando pouco preocupado com o seu aspecto físico. 

Richie é um obscuro agente do FBI que tarda em ver o seu trabalho reconhecido, que gosta de andar com o cabelo ondulado, representando uma certa visão até pouco agradável dos elementos da agência de segurança, com David O. Rossell a mostrar estes indivíduos como disponíveis para tudo para conseguir os seus intentos (o golpe contra os políticos é provocado). Sydney era uma stripper e agora colabora com um charlatão e um agente do FBI pouco dado a regras, ou seja, não melhorou muito. Temos ainda políticos corruptos, agentes secretos peculiares, ou seja, um universo narrativo preenchido por figuras sui generis, que povoam uma obra que pode ser acusada de não trazer praticamente nada de novo ao género e até de alguma incoerência, mas utiliza paradigmaticamente os seus recursos, pese os excessos de David O. Russell com a steadycam, tendo em vista a captar o melhor momento dos actores, embora em alguns momentos cause mais distracção do que propriamente um contributo para a narrativa. A maior vitória de Russell é a criação dos seus personagens, a capacidade de nunca deixar os improvisos caírem na anarquia, os elevados valores de um filme leve, bem amarrado, com alguns momentos e diálogos a espaços memoráveis, resultando numa pelicula que não está livre de falhas, não é uma obra-prima magistral, a sua montagem parece algo descuidada, mas está longe de ser banal ou uma farsa como os golpes de Irving. Os planos deste e a operação que vai conduzir a uma conspiração que envolve vários políticos esconde ainda a procura destes personagens em encontrarem o seu lugar no mundo, em vingarem e ajustarem-se a uma sociedade onde não se parecem adaptar totalmente, tal como os próprios actores não parecem ser escolhas óbvias para os papéis mas acabam por dar interpretações muito acima da média. Os personagens disfarçam-se, assumem as identidades dos disfarces, revelam a espaços as suas personalidades e procuram sobreviver, um pouco como David O. Russell, um cineasta pouco consensual cuja carreira tem vindo a conhecer uma fase claramente ascendente, tendo em "American Hustle" um filme que se superioriza a algumas das suas obras anteriores e mostra um realizador cada vez mais consolidado, embora longe de consensos. O cineasta cria uma obra com uma estrutura inicialmente marcada por flashbacks e os protagonistas a narrarem a história, indo gradualmente explorar cada um dos personagens e os seus mundos, com "American Hustle" a revelar-se um caso curioso onde apetece visionar o filme várias vezes só para observar atentamente cada personagem e as suas especificidades, numa obra onde dificilmente lhe podemos catalogar com um género. 

Mais do que lhe ligarmos um género específico, "American Hustle" junta em si características próprias dos filmes de David O. Russel. "Silver Linings Playbook" não era um filme apenas sobre um doente com problemas do foro psiquiátrico, mas também uma comédia romântica e drama. "American Hustle" é muito mais do que os golpes de Irving e a investigação para incriminar Carmine Polito e outros políticos corruptos, sendo acima de tudo uma obra sobre os personagens, os seus sentimentos e os seus desenvolvimentos ao longo da narrativa. Veja-se o caso do personagem interpretado por Bradley Cooper, um indivíduo que vive num apartamento localizado no Brooklyn com a mãe (uma força castradora) e a noiva. Também o caso da personagem interpretada por Amy Adams que assume em demasia a faceta de inglesa quando é uma norte-americana, ou seja, temos toda uma estrutura complexa, embora nem sempre coerente, representativa do jogo de aparências da nossa sociedade, exposta a partir destas figuras, que por vezes até nos narram as suas vidas e episódios, dão-se a conhecer numa narrativa que decorre entre o final dos anos 70 e início dos anos 80, representando este período de acordo com a visão do seu cineasta. O filme até começou por se chamar "American Bulshit", o seu argumento esteve na blacklist e acabou por sair do papel com David O. Russell e com um conjunto de actores como Bradley Cooper, Amy Adams, Christian Bale e Jennifer Lawrence que já tinham anteriormente colaborado com o cineasta. Talvez esta situação ajude a explicar a grande dinâmica entre ambos, com Bradley Cooper e Amy Adams a terem uma química assinalável (a cena onde dançam ao som de "I Feel Love" de Donna Summer é muito boa), Jennifer Lawrence a ter momentos explosivos com Christian Bale e até de alguma sensualidade com Amy Adams, parecendo tudo fluir de forma natural. Junte-se ainda os diálogos rápidos trocados em alguns momentos por estes elementos, quase a fazer recordar as screwball comedies, num constante ping pong entre personagens a trocarem prosa, enquanto David O. Russell capta o sabor de uma época e cria uma obra de entretenimento de bom nível. "American Hustle" não é só um filme sobre vigarices e golpes vários, nem apenas de agendas escondidas e personalidades por revelar, muito menos se pode reduzir à operação do FBI para deter políticos corruptos, é filme com personagens humanos e complexos, que querem vingar na vida, perdem-se pelo caminho e procuram um destino, que amam e se destroem, que enganam e se enganam, é obra de grandes interpretações e de música cheia de significado, com uma história com muito para dizer.

Título original: "American Hustle".
Título em Portugal: "Golpada Americana".
Realizador David O. Russell. 
Argumento: Eric Warren Singer e David O. Russell.
Elenco: Christian Bale, Amy Adams, Bradley Cooper, Jennifer Lawrence, Jeremy Renner.

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