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Resenha Crítica: "The Kiss" (1929)

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

 Último filme mudo da MGM e último filme mudo protagonizado por Greta Garbo, "The Kiss" coloca a lendária actriz sueca num papel muito à sua medida, onde a tragédia e sedução andam lado a lado, ao longo de uma obra com uma narrativa simples, enxuta, sem grandes subtramas, centrada quase exclusivamente na história da sua protagonista, Irene (Garbo) e nas complexas relações desta com as figuras masculinas. Irene é uma mulher sedutora e misteriosa, casada com Charles (Anders Randolf), um indivíduo mais velho e aparentemente saudável a nível de finanças, com quem tem uma relação pouco calorosa, ao contrário do relacionamento com André (Conrad Nagel), um jovem advogado com quem se encontra às escondidas. A relação com André sofre um forte revés quando o casal decide parar de se ver. Irene pretende fugir com André, enquanto este último pretende que a protagonista peça o divórcio, algo que esta considera impossível de obter. É então que Irene conhece Pierre (Lew Ayres, no seu primeiro papel), um jovem estudante universitário, filho de um homem de negócios abastado e amigo de Charles, que logo se sente seduzido pela bela mulher. Um beijo de despedida (que dá título ao filme) entre Pierre e Irene promete trazer a desgraça a esta última, despertar a fúria do seu esposo e conduzir a uma morte, naquele que é um dos episódios definidores deste filme eficazmente realizado por Jacques Feyder, uma obra que não dá mais do que aquilo que se propõe, permitindo a Greta Garbo espelhar um pouco do seu talento e fascinar-nos com a sua aura própria das divindades. Os close-ups exacerbam a expressividade de Garbo e o conflito interior da sua personagem, com esta a dar vida a uma mulher que é simultâneamente sedutora e seduzida, esposa e amante, um papel à sua imagem, ou não tivesse interpretado mulheres dadas à tentação em "The Temptress", "Flesh and the Devil", "Anna Karenina", entre outras obras cinematográficas. Em "The Kiss", Garbo interpreta uma mulher que protagoniza três relações de cariz diferente ao longo do enredo: com André esta conhece o calor do amor (proibido); com o marido esta vive uma pálida relação matrimonial; com Pierre esta é alvo de desejo por parte de um jovem e concede-lhe um beijo que muda o figurino da narrativa, enquanto Greta Garbo surge sublime, encantadora e sedutora. O talento da actriz é aproveitado, bem como dos seus colegas de elenco, embora o espectáculo seja quase todo de Garbo, numa obra que culmina com uma cena de tribunal, algo irrealista, mas emotiva, paradigmática de um filme movido pelas paixões e desejos. Na sua estreia em Hollywood, o belga Jacques Feyder é capaz de desenvolver um drama simples, competente, marcado por alguma sensualidade e um bom trabalho de fotografia, com o cineasta a ser capaz de explorar o talento da sua protagonista e o mistério em redor da mesma.

Título original: "The Kiss".
Realizador: Jacques Feyder.
Argumento: Hanns Kräly.
Elenco: Greta Garbo, Conrad Nagel, Anders Randolf, Lew Ayres. 

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