Desde Greta Garbo, passando por Terrence Malick e Stanley Kubrick, várias são as estrelas de cinema que optaram por uma atitude de vida privada mais discreta, de quase reclusão, procurando a todo o custo afastar-se dos holofotes dos media. No caso de Stanley Kubrick, a sua reclusão foi aproveitada por Alan Conway, um londrino nascido Eddie Alan Jablowsky, que no início dos anos 90 se fez passar passar por Stanley Kubrick, até ser desmascarado num artigo da Vanity Fair. A expressão "The counterfeit Kubrick”, utilizada como título do artigo homónimo de Andrew Anthony no The Guardian, adequa-se na perfeição a Conway, ou não fosse este um Kubrick contrafeito, que nem era fisicamente parecido com o lendário cineasta e até tinha um sotaque britânico que destoava do tom de voz do realizador, mas aproveitou a personalidade reservada de Kubrick, pouco dada a eventos, para conseguir convencer várias pessoas de que era o realizador, incluindo nomes como o cantor Joe Longthorne, as actrizes Julie Walters e Patricia Hayes, entre outros elementos. As razões que conduziriam estas pessoas a acreditarem em Alan Conway são variadas, mas estarão e muito centradas no desejo de quererem privar com o cineasta e no facto do rosto de Stanley Kubrick não ser do conhecimento de todos, ou não tivesse ele estado cerca de quinze anos afastado da vida pública. Estes golpes acabaram por funcionar como um escapismo para Conway, um antigo agente de viagens, que abandonara a esposa no final dos anos 80 para ir viver com o companheiro (que posteriormente faleceria de SIDA), tratando o seu filho de forma pouco digna, dedicando-se ao excessivo consumo de álcool e vivendo alguns momentos pouco brilhantes. O assumir da identidade de Stanley Kubrick permitiu-lhe aceder aos melhores clubes, privar com figuras relevantes, contrair dívidas (muitas não viria a pagar) e ter uma vida distinta da que estava habituado, prometendo papéis em filmes e enganando vários elementos, que posteriormente se recusaram ir a tribunal para não serem publicamente humilhados por terem caído nesta esparrela.
A história de Alan Conway foi adaptada ao grande ecrã no filme "Color Me Kubrick", uma obra realizada por Brian W. Cook e protagonizada por John Malkovich. O filme vale acima de tudo pela sua premissa e pela interpretação de John Malkovich como este homem excêntrico e sem escrúpulos, que procura enganar tudo e todos, embora "Color Me Kubrick" se perca na sua estrutura repetitiva, que nos expõe a vários golpes de Conway, mas o efeito dos mesmos perde-se perante as redundâncias do enredo. Tem algumas homenagens inteligentes às obras de Stanley Kubrick, não faltando inicialmente uma homenagem a "A Clockwork Orange" e posteriormente a "2001: A Space Odyssey", uma banda sonora que remete em alguns momentos para as obras do cineasta, embora o filme pouco mais tenha para dar a não ser um retrato colorido sobre Alan Conway, composto por alguns momentos de humor e tensão, mas pouco mais do que isso. Quem acaba por sobressair é John Malkovich, pronto a explorar as excentricidades do personagem que interpreta, um indivíduo pouco preparado, que até não se parecia com Stanley Kubrick, mas que se fazia valer da vaidade dos outros para acreditarem que era o famoso cineasta, desenvolvendo pequenos golpes com a promessa de futuros favores. É assim com dois elementos de uma banda de rock, um taxista, um designer de moda, elementos ávidos de fama que pretendem cair nas boas graças deste Kubrick contrafeito, com Alan Conway até a falhar no disfarce em alguns momentos, como no bar onde um indivíduo testa a veracidade do interlocutor, salientando que gosta muito de "Judgement at Nuremberg" e o charlatão pensa ser um filme do realizador, algo que faz o seu disfarce ir temporariamente por água abaixo. Isso não impede que Alan Conway continue com os seus golpes, conhecendo um enfermeiro que, tal como o protagonista, é homossexual e cedo mostra interesse em Stanley Kubrick, apresentando-o a Lee Pratt (Jim Davidson), um cantor com um aspecto extravagante que pretende conquistar os EUA.
Conway aproveitava-se da ambição de Pratt para convencer o cantor que o poderá ajudar a triunfar em Las Vegas, conseguindo viver num luxuoso quarto de hotel, pelo menos até as suas mentiras começarem a ser descobertas, tendo no seu encalço Frank Rich (William Hootkins), um jornalista do New York Times que outrora contactara num restaurante para rebater um artigo escrito pelo personagem interpretado por Hootkins, algo que conduzirá o mesmo a investigar a veracidade deste Kubrick. O golpista nem faz um grande esforço para imitar Stanley Kubrick, aproveitando-se da falta de informação em relação ao cineasta e o desejo de muitos em contactar com o mesmo para conseguir conduzir os seus golpes a bom porto (veja-se quando se refere a Kirk Douglas como Miss Kirk Douglas, pensando ser uma actriz, ou a Tom Cruise como Tommy Cruise), algo que o filme consegue explorar eficazmente, caindo por vezes na caricatura, é certo, mas dando a John Malkovich um papel adequado à sua pessoa, expondo todas as extravagâncias do protagonista, sempre com uma dose de loucura à mistura. Essa extravagância é desde logo vista no seu guarda roupa (um dos elementos mais adequados do filme) e personalidade, com este indivíduo que diz ser Stanley Kubrick e que Alan Conway é apenas um disfarce para passar despercebido, a conseguir elaborar golpes mirabolantes. O caso foi alvo de um artigo da Vanity Fair e o interessante "The counterfeit Kubrick" no The Guardian, que expunham o caso verídico e a história de Alan Conway. Já o filme perde-se na sua excessiva procura em querer mostrar o lado mais caricatural dos golpes, esgotando-se muitas das vezes na sua premissa, embora a interpretação de Malkovich tire-o da mediocridade, bem como a banda-sonora evocativa de algumas obras de Stanley Kubrick, com "Color Me Kubrick" a mostrar o porquê do seu realizador, Brian W. Cook (director assistente de três filmes de Kubrick, "Barry Lyndon", "The Shining", e "Eyes Wide Shut"), apenas ter realizado este filme.
Brian W. Cook não foi o único elemento envolvido em "Color Me Kubrick" a trabalhar directamente com o verdadeiro Stanley Kubrick, também o argumentista, Anthony Frewin, um assistente pessoal do cineasta desde "2001: A Space Odyssey". Esse conhecimento conduziu a um interesse por Conway, embora este nem sempre consiga ser expresso paradigmaticamente ao longo do filme, que não deixa de contar com os seus erros históricos e redundâncias narrativas, perdendo-se em episódios que se ficam muito pela caricatura. Apesar de contar com alguns erros históricos (veja-se o caso de Frank Rich, que não foi o responsável pelo desvendar da história, tendo até acreditado no golpista e pensado que Kubrick era homossexual), "Color Me Kubrick" traça um retrato algo interessante de Alan Conway, embora omita vários elementos da sua vida privada, tais como o facto de ter perdido a guarda do filho devido a abusos cometidos após a morte da ex-mulher, bem como um breve contexto sobre quem era este homem antes de se assumir como Kubrick, que certamente seriam mais interessantes a nível de conteúdos do que tanta repetição de golpes. Percebe-se a ideia da exposição dos golpes, ou não fossem demasiado caricatos, embora não seja caso único (veja-se ainda recentemente como James Franco salientava no programa "Conan" que tinha um doppelgänger que se fazia passar por si em eventos), mas não deixa de chamar a atenção como um indivíduo tão mal preparado conseguia fazer-se passar por Stanley Kubrick. Diga-se que a tarefa de Alan Conway foi facilitada por não existir uma acesso tão rápido à informação como nos dias de hoje, bem como por uma sede de fama de vários indivíduos que queriam privar com Stanley Kubrick, embora soubessem que o cineasta era uma pessoa pouco dada a eventos públicos. O filme nunca consegue estar à altura destes deliciosos episódios, mas nem por isso consegue deixar de gerar algum interesse, aproveitar o talento de John Malkovich e explorar a personalidade de Alan Conway, mas perde-se nas suas redundâncias, embora esteja longe de ser uma obra que não mereça pelo menos uma visualização.
A história de Alan Conway foi adaptada ao grande ecrã no filme "Color Me Kubrick", uma obra realizada por Brian W. Cook e protagonizada por John Malkovich. O filme vale acima de tudo pela sua premissa e pela interpretação de John Malkovich como este homem excêntrico e sem escrúpulos, que procura enganar tudo e todos, embora "Color Me Kubrick" se perca na sua estrutura repetitiva, que nos expõe a vários golpes de Conway, mas o efeito dos mesmos perde-se perante as redundâncias do enredo. Tem algumas homenagens inteligentes às obras de Stanley Kubrick, não faltando inicialmente uma homenagem a "A Clockwork Orange" e posteriormente a "2001: A Space Odyssey", uma banda sonora que remete em alguns momentos para as obras do cineasta, embora o filme pouco mais tenha para dar a não ser um retrato colorido sobre Alan Conway, composto por alguns momentos de humor e tensão, mas pouco mais do que isso. Quem acaba por sobressair é John Malkovich, pronto a explorar as excentricidades do personagem que interpreta, um indivíduo pouco preparado, que até não se parecia com Stanley Kubrick, mas que se fazia valer da vaidade dos outros para acreditarem que era o famoso cineasta, desenvolvendo pequenos golpes com a promessa de futuros favores. É assim com dois elementos de uma banda de rock, um taxista, um designer de moda, elementos ávidos de fama que pretendem cair nas boas graças deste Kubrick contrafeito, com Alan Conway até a falhar no disfarce em alguns momentos, como no bar onde um indivíduo testa a veracidade do interlocutor, salientando que gosta muito de "Judgement at Nuremberg" e o charlatão pensa ser um filme do realizador, algo que faz o seu disfarce ir temporariamente por água abaixo. Isso não impede que Alan Conway continue com os seus golpes, conhecendo um enfermeiro que, tal como o protagonista, é homossexual e cedo mostra interesse em Stanley Kubrick, apresentando-o a Lee Pratt (Jim Davidson), um cantor com um aspecto extravagante que pretende conquistar os EUA.
Conway aproveitava-se da ambição de Pratt para convencer o cantor que o poderá ajudar a triunfar em Las Vegas, conseguindo viver num luxuoso quarto de hotel, pelo menos até as suas mentiras começarem a ser descobertas, tendo no seu encalço Frank Rich (William Hootkins), um jornalista do New York Times que outrora contactara num restaurante para rebater um artigo escrito pelo personagem interpretado por Hootkins, algo que conduzirá o mesmo a investigar a veracidade deste Kubrick. O golpista nem faz um grande esforço para imitar Stanley Kubrick, aproveitando-se da falta de informação em relação ao cineasta e o desejo de muitos em contactar com o mesmo para conseguir conduzir os seus golpes a bom porto (veja-se quando se refere a Kirk Douglas como Miss Kirk Douglas, pensando ser uma actriz, ou a Tom Cruise como Tommy Cruise), algo que o filme consegue explorar eficazmente, caindo por vezes na caricatura, é certo, mas dando a John Malkovich um papel adequado à sua pessoa, expondo todas as extravagâncias do protagonista, sempre com uma dose de loucura à mistura. Essa extravagância é desde logo vista no seu guarda roupa (um dos elementos mais adequados do filme) e personalidade, com este indivíduo que diz ser Stanley Kubrick e que Alan Conway é apenas um disfarce para passar despercebido, a conseguir elaborar golpes mirabolantes. O caso foi alvo de um artigo da Vanity Fair e o interessante "The counterfeit Kubrick" no The Guardian, que expunham o caso verídico e a história de Alan Conway. Já o filme perde-se na sua excessiva procura em querer mostrar o lado mais caricatural dos golpes, esgotando-se muitas das vezes na sua premissa, embora a interpretação de Malkovich tire-o da mediocridade, bem como a banda-sonora evocativa de algumas obras de Stanley Kubrick, com "Color Me Kubrick" a mostrar o porquê do seu realizador, Brian W. Cook (director assistente de três filmes de Kubrick, "Barry Lyndon", "The Shining", e "Eyes Wide Shut"), apenas ter realizado este filme.
Brian W. Cook não foi o único elemento envolvido em "Color Me Kubrick" a trabalhar directamente com o verdadeiro Stanley Kubrick, também o argumentista, Anthony Frewin, um assistente pessoal do cineasta desde "2001: A Space Odyssey". Esse conhecimento conduziu a um interesse por Conway, embora este nem sempre consiga ser expresso paradigmaticamente ao longo do filme, que não deixa de contar com os seus erros históricos e redundâncias narrativas, perdendo-se em episódios que se ficam muito pela caricatura. Apesar de contar com alguns erros históricos (veja-se o caso de Frank Rich, que não foi o responsável pelo desvendar da história, tendo até acreditado no golpista e pensado que Kubrick era homossexual), "Color Me Kubrick" traça um retrato algo interessante de Alan Conway, embora omita vários elementos da sua vida privada, tais como o facto de ter perdido a guarda do filho devido a abusos cometidos após a morte da ex-mulher, bem como um breve contexto sobre quem era este homem antes de se assumir como Kubrick, que certamente seriam mais interessantes a nível de conteúdos do que tanta repetição de golpes. Percebe-se a ideia da exposição dos golpes, ou não fossem demasiado caricatos, embora não seja caso único (veja-se ainda recentemente como James Franco salientava no programa "Conan" que tinha um doppelgänger que se fazia passar por si em eventos), mas não deixa de chamar a atenção como um indivíduo tão mal preparado conseguia fazer-se passar por Stanley Kubrick. Diga-se que a tarefa de Alan Conway foi facilitada por não existir uma acesso tão rápido à informação como nos dias de hoje, bem como por uma sede de fama de vários indivíduos que queriam privar com Stanley Kubrick, embora soubessem que o cineasta era uma pessoa pouco dada a eventos públicos. O filme nunca consegue estar à altura destes deliciosos episódios, mas nem por isso consegue deixar de gerar algum interesse, aproveitar o talento de John Malkovich e explorar a personalidade de Alan Conway, mas perde-se nas suas redundâncias, embora esteja longe de ser uma obra que não mereça pelo menos uma visualização.


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