A partir de hoje vão estrear sete novos filmes nas nossas salas de cinema, de diversos géneros e nacionalidades. Realce para a tentativa das distribuidoras de capitalizar ao máximo o facto de amanhã ser dia dos namorados ao fazerem estrear três filmes românticos, dois deles com o mesmo título e tudo: "Uma História de Amor". Ao terceiro, para variar, chamou-se "Amor Infinito".
Entre as estreias da semana a obra que destacamos antes de mais é, sem dúvida, a "Uma História de Amor" de Spike Jonze, interpretada por um Joaquin Phoenix em grande. O Aníbal viu o filme, apreciou-o bastante e escreveu-lhe uma crítica. Eis a sua conclusão: «Joaquin Phoenix por vezes faz-nos recordar o seu personagem em "Two Lovers" de James Gray (também este um indivíduo marcado por uma relação passada falhada, algo indeciso e sonhador), mas com diversas variâncias, não estando entre dois amores mas sim perante uma paixão aparentemente ridícula, que com o desenrolar do filme até começa a fazer sentido e é capaz de nos fazer questionar sobre o que faríamos na situação do protagonista. O argumento apresta-se a levantar estas questões, com o protagonista a chegar a questionar Amy se esta relação o torna "uma aberração". Por sua vez a amiga tem uma resposta paradigmática da magnífica qualidade dos diálogos que permeia a narrativa: "Qualquer pessoa que se apaixone é uma aberração. É algo louco de se fazer. Uma forma socialmente aceitável de insanidade". As paixões quando nascem trazem algo de imprevisível e "Her" aborda isso mesmo, enquanto explora este futuro próximo, exposto de forma algo minimalista, quase palpável e muito próximo da nossa realidade. É um futuro, mas ficamos conscientes que não é um tempo assim tão distante do nosso tempo, ou não estivéssemos também tão dependentes das tecnologias, algo que quase torna plausível a história de Theodore, ao longo de um filme onde esta temática é abordada com enorme humanidade. Acima de tudo estão os sentimentos, o abraçar das diferenças, o afastar da solidão e o abrir do coração, os amores que nascem e aqueles que partem, os sorrisos que se levantam e as lágrimas que caem, sensações profundamente humanas ao longo de uma obra delicada, que não procura o ridículo embora cause estranheza, mas também muita ilusão. A ilusão bem real que o cinema continua a ser um palco onde podemos sonhar e "Her" apresta-se paradigmaticamente a esse nobre e apaixonante desiderato.»
O filme é realizado por Spike Jonze ("Where the Wild Things Are"), através do argumento do próprio e conta no elenco com Joaquin Phoenix ("Walk the Line"), Amy Adams ("The Muppets"), Rooney Mara ("The Girl With the Dragon Tattoo"), Olivia Wilde ("Tron: Legacy"), Chris Pratt ("Zero Dark Thirty"), Scarlett Johansson ("Don Jon"), entre outros.
O enredo de "Her" desenrola-se num futuro não muito distante e centra-se em Theodore (Joaquin Phoenix), um escritor solitário que decide adquirir um novo sistema operacional, que fora elaborado para atender a todas as suas necessidades. É então que se começa a desenvolver uma estranha relação romântica entre Theodore e o sistema operacional, uma história amor não convencional, que explora a natureza do amor e as formas como a tecnologia nos isola e nos conecta.
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Vai estrear também "Um Segredo do Passado", que tem como curiosidade o facto de ser protagonizado por Josh Brolin e Kate Winslet. A crítica estrangeira, no entanto, não lhe foi particularmente favorável.
"Labor Day" é baseado na obra literária homónima de Joyce Maynard. O filme tem a seguinte sinopse: “LABOR DAY” centra-se em Henry Wheeler, um jovem de treze anos de idade, que luta para ser o homem da casa e ajudar a sua depressiva mãe, ao mesmo tempo que tem de confrontar todas as angústias da adolescência. Durante um passeio no centro comercial, Henry e a mãe encontram Frank Chambers (Josh Brolin), um homem intimidador que está a precisar claramente de ajuda, e convence-os a levarem-no para casa e tratarem das suas feridas. É então que este revela ser um criminoso em fuga. Os eventos deste longo Dia do Trabalhador vai mudar para sempre a vida destes personagens.
"Labor Day" é realizado por Jason Reitman ("Young Adult"), através do argumento do próprio. O filme conta no elenco com Kate Winslet ("Mildread Pierce"), Josh Brolin ("W."), Tom Lipinski ("Suits"), Clark Gregg ("The Avengers"), Brooke Smith ("The Silence of the Lambs"), Alexie Gilmore ("Surfer, Dude") e Lucas Hedges ("Moonrise Kingdom"), Gattlin Griffith (“Green Lantern"), Brighid Fleming (“Gamer”), James Van Der Beek (“Don´t Trust The B—- In Apartment 23”), Maika Monroe e Micah Fowler.
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Destaque ainda para a estreia de "RoboCop", o remake realizado por José Padilha do clássico de 1987. Da minha parte já vi o filme, irei escrever-lhe uma crítica nos próximos dias, e posso avançar desde já que é um filme que não está desastroso, apesar de também não estar particularmente bom. É, basicamente, apenas mais um filme de acção, com alguns bons pormenores.
O reboot de "Robocop" é realizado por José Padilha ("Tropa de Elite"), através do argumento de Josh Zetumer ("Dune"), posteriormente rescrito por Nick Schenk ("Gran Torino") e James Vanderbilt ("The Amazing Spider-Man"). Joel Kinnaman ("The Killing"), Gary Oldman ("The Dark Knigh Rises"), Samuel L. Jackson ("The Avengers"), Abbie Cornish ("Limitless"), Jackie Earle Haley ("Watchmen"), Jay Baruchel ("How to Train Your Dragon"), Jennifer Ehle ("The Ides of March"), Michael Kenneth Williams ("The Wire"), Marianne Jean-Baptiste ("Without a Trace") e Michael Keaton ("The Other Guys").
Sinopse de "RoboCop" (traduzida livremente): Em 2029, o conglomerado multinacional Omnicorp encontra-se no centro da tecnologia robótica. Os seus drones encontram-se a vencer as guerras norte-americanas ao redor do Mundo e agora a empresa pretende utilizar esta tecnologia a nível interno. Alex Murphy é um bom marido, um bom pai e é um polícia a dar o seu melhor para combater o crime e corrupção em Detroit. Após ter sido gravemente ferido no cumprimento do dever, a Omnicorp decide utilizar a sua tecnologia avançada para salvar a vida de Alex. Este regressa à sua cidade com um novo conjunto de espectaculares habilidades, mas com problemas que um homem normal não teria de enfrentar.
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Vamos igualmente ter nas nossas salas o documentário português "A Estrada da Revolução", realizado por Dânia Lucas, escrito por João Fontes e Tiago Carrasco e com a narração de Ivo Canelas.
Sinopse (Sapo): Um projecto jornalístico que visa perceber as transformações desencadeadas pelas revoluções no Mundo Árabe através de uma viagem por dez países do Médio Oriente e do Magreb – Turquia, Síria, Líbano, Jordânia, Israel, Egipto, Líbia, Tunísia, Argélia e Marrocos –, terminando em Lisboa.
A viagem durará de 90 a 105 dias e será levada a cabo por quatro profissionais – um jornalista redactor, um fotógrafo e um repórter de imagem. Viajarão de transportes públicos terrestres e marítimos: comboio, autocarro, táxi e barco.
Os conteúdos focarão a actualidade dos países em questão, dando voz tanto a rebeldes e revolucionários como a defensores dos regimes. Pretende-se Conhecer o estilo de vida praticado em cada um destes países, entender as causas de descontentamento, perceber os conflitos étnicos e religiosos, recuperar a História recente destas nações e as expectativas das jovens gerações. Não se deixará de parte a arte e a cultura, a visão dos intelectuais, dos músicos, dos cineastas e dos pintores que desafiam as ditaduras assim como o desporto e a vida quotidiana que flui à margem da corrente revolucionária. E, claro, as histórias pessoais de quem faz a viagem, riquíssimas em peripécias e sobressaltos.
A Estrada da Revolução é um projecto eclético; viajará desde as raízes ancestrais dos curdos na Turquia à era do Facebook dos jovens egípcios. Passará dos novos rappers de Istambul às orações da Igreja Copta do Cairo, irá de campos de refugiados a praias do Mediterrâneo, dos bares de Casablanca às mesquitas líbias.
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Para além destes filmes, estreiam outros que por terem sido tão mal recebidos pela crítica externa (e por causa da nossa necessidade de filtrar o que não parece bom) não foram destacados neste post. São eles: "Amor Infinito", uma obra com um título particularmente descritivo; "Um Plano Perfeito", protagonizado por Diane Kruger e com um poster que mete medo; e por fim o famoso "Winter's Tale - Uma História de Amor", que apesar do seu elenco muito sólido (Colin Farrell, Jennifer Connelly, William Hurt e com aparições de Will Smith e Russell Crowe) tem sido constantemente massacrada pela crítica, sendo disso sinal os 6% do Rotten Tomatoes.





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