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Resenha Crítica: "Ringu 2" (1999)

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

"Ringu" adaptara ao grande ecrã o livro homónimo da autoria de Koji Suzuki. O filme estreou originalmente a 31 de Janeiro de 1998, tendo gerado um enorme sucesso junto do público e da crítica, e sido um dos filmes definidores da carreira de Hideo Nakata. "Ringu" foi lançado em simultâneo com "Rasen", a sua sequela, adaptada da obra literária com o mesmo título, de forma a aumentar as vendas, embora a continuação realizada por Joji Lida tenha sido um fracasso. "Ringu 2" ignora os acontecimentos de "Rasen", a sequela de "Ringu" que fora lançado próximo deste último e continua a história do primeiro filme, apresentando-nos desde logo a uma morgue onde se encontra o corpo de Sadako, cuja triste história conhecemos no primeiro filme. Sadako foi fechada num poço pelo seu próprio pai, após este ter descoberto que a filha tinha fortes poderes psíquicos. Esta é um yurei, ou seja, um espírito solitário, que podemos encontrar na célebre VHS da cassete amaldiçoada de "Ringu", onde a pessoa que a visualizasse receberia um telefonema e passado sete dias seria morta. No início de "Ringu 2", acompanhamos Yamamura (Yoichi Numata), o tio de Sadako, enquanto este se encontra na morgue, onde os analistas revelam que Sadako apenas falecera há um ou dois anos, algo a levara a estar durante quase trinta anos fechada, tendo sido descoberta, sem vida, por Ryuji Takayama e a sua esposa no primeiro filme. "Ringu 2" acompanha Mai Takano (Miki Nakatani), a antiga assistente e aluna de Ryuji Takayama, um indivíduo que falecera às mãos de Sadako em "Ringu". Mai é uma mulher algo isolada da sociedade, um pouco à imagem da atormentada Sadako, procurando a todo o custo resolver o mistério em volta da morte de Ryiuji. Para atingir esse desiderato, a jovem Mai tenta encontrar a ex-mulher de Riuji, Reiko Asakawa (a protagonista do filme anterior) e o filho do antigo casal, Yoichi (Rikiya Otaka). Nessa busca, a protagonista conta com a ajuda de Okazaki (Yūrei Yanagi), um jornalista que investiga a maldição. Os dois acabam por decidir visitar Masami Kurahashi (Hitomi Sato), uma jovem mulher que sobreviveu à maldição, tendo sido internada num hospital, onde se encontra confinada devido a contar com poderes psíquicos, resultantes de ter visionado o material da cassete de vídeo e sobrevivido à maldição. Mais tarde, Mai consegue encontrar Yoichi e Reiko, descobrindo o que aconteceu a Ryuji, bem como o facto do jovem Yoshi padecer da mesma situação de Masami. Com as autoridades no encalço de Reiko e do seu filho, o duo tem de procurar de tudo para manter-se escondido, no entanto, um trágico acontecimento leva a que Mai tenha de ficar com a guarda do pequeno Yoshi, enquanto tardam em surgir desenvolvimentos sobre a possibilidade de curar aqueles que sobreviveram à maldição de Sadako.

"Ringu 2" procura expandir os eventos do primeiro filme da saga baseada no livro "Ringu" de Kōji Suzuki, mas raramente atinge o nível da obra original, contando com uma narrativa algo atabalhoada, onde nem a procura de Hideo Nakata em criar um clima de tensão semelhante ao primeiro filme contribui para tirar a película da mediania. Perdeu-se o factor "novidade" em relação ao mistério da cassete e o modo de a travar (no primeiro filme descobrimos que tinha de ser efectuada uma cópia da cassete e esta ao ser vista, a maldição passava para a outra pessoa), perdeu-se também uma maior assertividade no desenvolvimento dos personagens e até na investigação em volta da maldição, e cai-se em exageros excessivos, até nas explicações. Hideo Nakata sabe realizar filmes de terror com mestria, mas em "Ringu 2", raramente parece existir aquele sentimento de urgência do primeiro filme, com os acontecimentos que vemos a surgirem muitas das vezes forçados, desafiando ao máximo o nosso lado mais pragmático, numa história que, tal como em "Ringu", volta a abordar questões ligadas ao sobrenatural e ao oculto. Desta vez sabemos que a cassete não só pode vitimar aqueles que a viram, mas também que deixa marcados aqueles que se salvaram e quebraram a maldição, algo que se repercute no jovem Yoichi e Masami Kurahashi, ao mesmo tempo que o filme procura seguir por caminhos diferentes de "Ringu". Alguns cenários são semelhantes, a atmosfera tensa adensada pelo trabalho de fotografia mantém-se, mas temos agora um conjunto de elementos distintos, onde não faltam invenções científicas, muitas explicações, poderes psíquicos e até um conjunto de personagens distintos que expandem o universo da saga. Entre os novos personagens encontra-se Mai, interpretada de forma eficaz por Miki Nakatani, uma actriz que cumpre no papel, bem como Nanako Matsushima, numa sequela que procura complementar o filme anterior. Existiu alguma coragem em seguir por caminhos diferentes de "Ringu", em não deixar a sequela ser uma cópia descarada do primeiro filme, aproveitando novamente a mitologia clássica japonesa (temos mais uma vez a presença do fantasma e a vingança, também associadas ao teatro Noh e ao Kabuki), mas explorando também elementos supostamente científicos, que exigem um enorme sentimento de descrença. Estamos perante um filme de terror algo ambicioso, que procura servir como uma sequela que expande o universo narrativo da obra original, que conta com uma protagonista interessante, mas está longe de fazer com que nos preocupemos com os destinos dos personagens, caindo em exageros que resultam num último terço que até pode ser frenético, mas está longe de conseguir causar ressonância.

Título original: "Ringu 2".
Título em inglês:  "Ring 2"
Realizador: Hideo Nakata.
Argumento: Hiroshi Takashi.
Elenco: Miki Nakatani, Hitomi Satô, Kyôko Fukada.

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