A certa altura de "Tostão - A Fera de Ouro", um documentário realizado por Paulo Laender e Ricardo Gomes Leite, encontramos alguns adeptos a compararem o antigo craque brasileiro com o "rei" Pelé antes de um jogo importante. Diga-se que este chegou a ter a alcunha de "Rei Branco" (o negro era Pelé), "Vice-Rei" e até "Mineirinho de Ouro" ou não tivesse nascido em Minas Gerais, sendo que Tostão também é uma alcunha, visto que o nome deste antigo "centroavante" é Eduardo Gonçalves de Andrade. Esta comparação com Pelé, com quem Tostão chegou a jogar, evidencia paradigmaticamente o que se esperava deste jogador de enorme talento, uma lenda do Cruzeiro onde participou em 373 jogos e marcou 249 golos. Lançado originalmente em 1970, o documentário foca-se acima de tudo nos feitos deste jogador na selecção, onde efectuou 65 jogos e marcou 36 golos ao longo da sua carreira, em particular nos jogos da fase de qualificação para o Campeonato do Mundo de 70 no México. Entre esses jogos encontram-se um “Brasil - Colômbia”, “Brasil - Venezuela”, entre outros, mesclados com elementos da vida pessoal de Tostão. Desde os gostos do jogador pelos escritos de Jorge Amado e Carlos Drummond de Andrade, passando pelos seus tempos no bairro dos operários onde jogava na infância e o seu regresso ao local, até aos problemas que teve na retina (tendo sido operado em Huston), o documentário (por vezes a parecer uma reportagem televisiva) não poupa em elementos para além das imagens de Tostão em campo, não faltando ainda depoimentos de alguns elementos que privaram com o jogador (amigos, pai), tudo acompanhado por uma banda sonora digna de realce elaborada por Milton Nascimento. É neste deambular entre a vida pessoal e profissional de Tostão que o documentário concentra as suas maiores qualidades, sobressaindo também pela escolha assertiva das imagens de arquivo, tais como trechos de jogos e programas sobre futebol, recortes de jornais, fotografias, ou seja, material recheado de interesse para os amantes do "desporto rei". No entanto, "Tostão - A Fera de Ouro" raramente procura problematizar e explorar as temáticas que nos apresenta, com o documentário a ser sempre mais interessante quando nos exibe as imagens de arquivo, dando-nos grandes momentos de futebol (e até alguns trechos de treinos), onde momentaneamente podemos ver Tostão, Pelé e companhia em campo, algo que se revela a espaços apaixonante. Sobre Tostão, escrevera Roberto Drummond, o argumentista de "Tostão - A Fera de Ouro": “A ele bastava um palmo de grama para encantar o mundo com dribles e gols jamais sonhados antes". Bonitas palavras que exibem paradigmaticamente a enorme relevância de Tostão para o futebol do seu tempo.
Fonte: Resenha Crítica: "Tostão - A Fera de Ouro"»

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