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Resenha Crítica: "The Man Who Knew Too Little" (O Homem Que Sabia de Menos)

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

 Entre a adaptação do livro "Watch That Man" e a paródia a "The Man Who Knew Too Much" e o seu remake (ambos de Alfred Hitchcock), "The Man Who Knew Too Little" apresenta uma premissa interessante, embora nem sempre revele grande eficácia a desenvolver a mesma, ficando sempre a ideia que se não fosse Bill Murray a narrativa entraria em terrenos pouco agradáveis, perdendo-se em algumas reviravoltas desnecessárias, que apenas parecem procurar alargar o tempo de duração do filme. A história centra-se em Wallace Ritchie (Murray), um indivíduo que viaja desde Des Moines no Iowa até Inglaterra para passar o aniversário com James (Peter Gallagher), o seu irmão, que tem um jantar de negócios nessa precisa noite. Sabendo do sonho do irmão em ser actor, James despacha Wallace para o "Teatro da Vida", uma peça de teatro interactiva, que decorre nas ruas, onde os actores interagem com o público. Esta parece ser a forma ideal de James tentar que o irmão não participe no jantar, algo que poderia conduzir ao risco deste estragar os negócios com o seu estilo de humor peculiar. No entanto, quando Wallace atende o telefone de uma cabine, quem está do outro lado da chamada não são os elementos do teatro, mas sim Roger Daggenhurst (Richard Wilson), um indivíduo que confunde o protagonista com Spencer (Terry O'Neal), um assassino que terá de se deslocar até ao "Número 6 Bishops Mews" e encontrar a rapariga que está no local combinado. Wallace pensa que tudo faz parte do jogo da peça de teatro, deparando-se com Lorelei (Joanne Whalley), também conhecida como Lori, uma mulher sedutora que inicialmente parece querer eliminar o protagonista, mas logo se junta a este, com os dois a colaborarem na protecção das cartas na posse da personagem interpretada por Whalley. Estas cartas apresentam informação relevante sobre um atentado que se encontra a ser preparado, algo que conduz o protagonista a procurar chantagear Gilbert Embleton (John Standing), um ministro da defesa britânico que se depara com o falso Spencer. Gilbert encontra-se envolvido na preparação do atentado, bem como Sergei (Nicholas Woodeson), um elemento russo, Daggenhurst, entre outros, que colocam um aparelho explosivo no interior de uma Matryoshka, tendo em vista a que esta expluda durante um jantar entre altos dignitários britânicos e russos, um evento que visa comemorar a assinatura de um acordo diplomático entre ambas as nações. Enquanto isso, o verdadeiro Spencer atende o telefonema do teatro e elimina um dos seus elementos, com os sobreviventes a pensarem que o assassino é Wallace, colocando a polícia no encalço do personagem interpretado por Bill Murray. Por sua vez, o protagonista tem ainda de lidar com um Boris "The Butcher" Blavasky (Alfred Molina), um indivíduo contratado para eliminar Spencer, algo que efectua, embora posteriormente descubra que o assassino é na realidade Wallace, com este último a escapulir-se a tudo e todos, enquanto lida com uma conspiração internacional que desconhece, colocando a cabeça em água aos seus perseguidores.

Realizado por Jon Amiel, um cineasta que até então realizara filmes como "Sommersby" e "Copycat", "The Man Who Knew Too Little" não poupa nas reviravoltas, mal entendidos, momentos rocambolescos, mortes, traições, referências a "The Man Who Knew Too Much", "The Shining", às obras da saga "James Bond" (não faltam os antagonistas megalómanos e uma bela mulher a acompanhar o protagonista) e "Dirty Harry", procurando colocar o seu protagonista nas situações mais intrincadas, embora nem sempre consiga criar tensão em volta dos seus destinos, tendo alguma dificuldade em mesclar os momentos mais sérios com os elementos satíricos. Jon Amiel procura compensar com o talento de Bill Murray alguma incapacidade do argumento em explorar a interessante premissa do filme, com o actor a encarnar com empenho, carisma e a espaços alguma anarquia, este indivíduo que pensa estar a protagonizar uma peça de teatro, mas encontra-se envolvido numa complexa conspiração internacional, que envolve um grupo criminoso que pode colocar em causa um acordo de paz entre a Rússia e Inglaterra. Acompanhado de forma amiúde por uma convincente Joanne Whalley, Murray explora o feitio algo ingénuo e sonhador do seu personagem, enquanto este lida com assassinos, polícias e várias contrariedades, ultrapassando as adversidades muitas das vezes de forma involuntária, revelando um sentido notório de "desenrascanço", ao mesmo tempo que proporciona alguns momentos de bom humor. No entanto, o bom desempenho de Murray nem sempre é acompanhado pelo argumento, com o filme a ir perdendo algum interesse com o desenrolar da narrativa, notando-se que Jon Amiel procura jogar demasiado pelo seguro quando se pedia mais irreverência e eficácia na exploração do material a satirizar e até na investigação, faltando um "golpe de asa" no desenvolvimento da história deste indivíduo peculiar, um funcionário de uma loja blockbuster, que acaba inadvertidamente por exercer a função de agente secreto "à la James Bond", embora os seus comportamentos estejam mais próximos de um atrapalhado Jacques Clouseau. Jon Amiel não ambiciona voos mais altos, procurando usar e abusar dos mal-entendidos que rodeiam a história do protagonista, apresentando alguns momentos de humor que realmente funcionam, conseguindo ainda aproveitar o elenco relativamente competente que tem à disposição, destacando-se Bill Murray, bem como alguns actores secundários, tais como a já mencionada Joanne Whalley como a bela Lori, Alfred Molina como o assassino russo Boris e Geraldine James como Ludmilla Kropotkin, uma mulher especialista em retirar informações à força. Apesar das suas lacunas, "The Man Who Knew Too Little" consegue proporcionar alguns momentos de entretenimento e humor, mostrando o carisma de Bill Murray e apresentando uma premissa interessante, que devidamente explorada poderia resultar numa obra bem acima da média, algo que não acontece no filme realizado por Jon Amiel.

Título original: "The Man Who Knew Too Little".
Título em Portugal: "O Homem Que Sabia de Menos".
Realizador: Jon Amiel.
Argumento: Robert Farrar e Howard Franklin. 
Elenco: Bill Murray, Peter Gallagher, Joanne Whalley, Alfred Molina, Richard Wilson, Geraldine James, John Standing, Anna Chancellor.  

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