Uma das obras mais fascinantes da edição de 2014 do FESTin foi "Elena", um documentário realizado por Petra Costa. Li An, a mãe da cineasta, esteve em Portugal a promover o filme e teve a amabilidade de responder a algumas questões colocadas pelo Rick's Cinema.
Rick's Cinema: Como reagiu quando a Petra Costa disse que iria realizar o filme?
Li An: Eu reagi bem, de forma natural, porque a história da Elena já estava na minha cabeça há vinte anos, foi como se saísse da minha cabeça e entrasse da tela, só que pela mão dela. Não o meu filme, mas sim o filme dela.
Rick's Cinema: A Li An também sonhou ser actriz, acha que influenciou a procura das suas filhas em enveredarem pela Sétima Arte?
Li An: É um pouco exagerado o que a Petra Costa coloca ali. Primeiro que eu sonhava beijar o Frank Sinatra, não é bem assim. Eu tive um sonho aos nove anos em que beijava o Frank Sinatra, quando tinha doze anos já ele virou canastrão. É coisa do filme. Quando lhe perguntam se tem algum elemento de ficção ela diz que tem “porque a minha mãe fica muito p...”. Eu participei numa curta, mas não gostei de ser actriz e logo fui para a política. A Elena é que queria ser actriz desde nova. Com 3/4 anos ela já queria ser actriz.
A Li An também participa no documentário. Como foi para si recordar estes momentos?
Li An: Dei dois depoimentos para a Petra. Eu não conseguia ver o filme. Só vi o filme inteiro em Dezembro, mas ver as minhas imagens não foi chocante. O que foi chocante foi ver os momentos mais próximos da morte da Elena.
RC: O Elena tem sido muito bem recebido a nível da crítica e do público. Como tem sido para si este sucesso?
Li An: A sessão em Brasília, que foi a primeira, em que recebi vários abraços, foi como uma redenção para mim. Até um crítico me perguntou “porque é que e Petra fez este filme?”. Eu falei “pergunta para ela”, mas para mim foi para veicular o meu pedido de perdão, eu senti um enorme sentimento de culpa, foi algo de avassalador. Aqueles abraços das pessoas foi como que a humanidade me perdoando. Foi muito importante para mim. Nunca pensei, mas para sentir tanto prazer é preciso ter passado por muita dor.
RC: A Li An tem acompanhado a exibição de "Elena" nos festivais. Como tem sido essa experiência?
Li An: Fui à China, foi interessante, mas não tenho ido a muitos festivais. Este é o terceiro que eu vou. Eu não tenho muito hábito de ir ao cinema, eu sou mais jornalista, socióloga. É interessante ver outro ambiente, conhecer pessoas, ver filmes, as reacções do público.
RC: A Petra já se encontra a desenvolver novos projectos?
Li An: Ela está a filmar um filme de ficção, uma co-produção com a Dinamarca. Entre os produtores encontra-se ainda o Luís Urbano (O Som e a Fúria).
RC: A última pergunta é se já tinha estado em Portugal e o que está a achar da estadia no nosso país?
Li An: Já vim várias vezes, Lisboa está linda, o clima é óptimo. É um prazer podermos falar a mesma língua, mas claro que tem o problema político, com a crise. Estou a torcer que tudo melhore.
Fonte: Entrevista a Li An sobre "Elena"»

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